Quando banqueiro e
ex-embaixador do Brasil nos EUA, Walther Moreira Salles, foi convencido a
comprar uma participação em uma mineradora que começava a explorar o nióbio -
mineral que deixa o aço mais forte e flexível - em Minas Gerais, deu início a
fortuna da família mais rica do Brasil, afirmou a agência de notícias americana
Bloomberg. Os herdeiros Fernando, Pedro, João e Walter transformaram o
banco do pai em uma das maiores instituições do Brasil, o Unibanco, e o
venderam para o Itaú, mas ainda mantêm participações no grupo, mas que ainda
rende menos à família que a mineradora, segundo a agência. Atualmente, eles
controlam uma fortuna estimada em US$ 27 bilhões, ultrapassando, inclusive, a
família Moraes, donos da Votorantim.
As raízes da
família começam em 1924, quando João Moreira Salles dirigia uma loja, em Minas
Gerais, que vendia alimentos, bebidas e utensílios domésticos. Nessa época, ele
decidiu abrir a casa bancária Moreira
Salles, que financiou a expansão das plantações de café nos 1930 e 1940,
informou a agência.
O patriarca sempre
circulou pela alta burguesia. Sua primeira esposa, Helene Tourtois, mãe de
Fernando, era filha do criador do perfume Chanel nº5. Além disso, os irmãos
foram criados por uma mordomo argentino que era aficicionado por poesia, latim
e piano. De acordo com a Bloomberg, na mansão da família no Rio
de Janeiro, Walther recebeu visitas como Henry Ford II, Nelson Rockefeller,
Aristóteles Onassis e Mick Jagger. Ele também doou quadros de Picasso para o
Museu de Arte de São Paulo e criou o Instituto Moreira Salles - para patrocinar
programas culturais no País e que tem João como presidente.
Hoje, a holding da
família com o nióbio é mais valiosa do que a participação de US$ 7,1 bilhões no
Itaú Unibanco, o maior banco da América Latina em ativos e o mais famoso de
seus investimentos. Segundo a agência, provavelmente a família conta com uma
carteira de ativos de quase US$ 11 bilhões.
Com cerca de US$ 600 milhões anuais em lucro e
receita de R$ 3,8 bilhões, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração
(CBMM) hoje tem como presidente o mais velho dos irmãos: Fernando, de 66 anos.
Pedro, 53 anos, é presidente do Itaú Unibanco e conselheiro da CBMM. Walter
Salles, 56 anos, é diretor de cinema e já dirigiu filmes como On the road e Diários de Motocicleta, por exemplo. Já João, 50 anos, é documentarista e fundador da
revista de jornalismo literário Piauí, afirmou a agência.