terça-feira, 19 de março de 2013

Mercado espera que ciclo de alta dos juros comece em maio


Alexandro Martello Do G1, em Brasília


Além de prever um aumento maior dos juros neste ano, os analistas do mercado financeiro também acreditam que o processo de alta da taxa básica da economia terá início mais rapidamente. 
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Segundo pesquisa conduzida pelo Banco Central, que dá origem ao relatório de mercado, os analistas dos bancos passaram a prever, na última semana, que o ciclo de alta dos juros terá início a partir de maio deste ano. Até o momento, a aposta era que o processo de elevação do juro básico da economia teria início somente em outubro de 2013.
De acordo com a pesquisa da autoridade monetária com as instituições financeiras, a taxa básica da economia avançaria de 7,25% para 7,5% ao ano em maio deste ano. Em julho, os juros subiriam para 7,75% ao ano. O patamar de 8% ao ano é previsto para ser atingido em agosto e, de 8,25% ao ano, em outubro de 2013 – patamar no qual os juros fechariam este ano.
Deste modo, os economistas apostam em quatro altas consecutivas de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros da economia a partir de maio deste ano. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, responsável por fixar os juros da economia, em 16 e 17 abril, ainda é prevista estabilidade na taxa básica em 7,25% ao ano. O encontro seguinte, no qual os juros começariam a subir, está marcado para 28 e 29 de maio.
Inflação em alta
A percepção do mercado financeiro de que os juros poderiam subir neste ano aconteceu após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, que somou 0,6%.Em doze meses, a inflação atingiu o patamar de 6,31% – próxima do teto de 6,50% existente no sistema de metas de inflação.
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o IPCA. Para 2013 e 2014, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
Para tentar impedir um crescimento maior da inflação neste ano, o governo também está lançando mão de desoneração de tributos, como para a cesta básica e para a energia elétrica, apesar de ter autorizado aumento no preço da gasolina e do óleo diesel.