Pesquisa ouviu comerciantes de todas as capitais
brasileiras para traçar o perfil do empresário varejista e sondar expectativas
de crescimento para 2013
A atual política de estímulo ao consumo
impactou significativamente no poder de compra do consumidor brasileiro, o que
consequentemente alavancou as vendas do comércio nos últimos dois anos. E foi
exatamente este cenário otimista que uma pesquisa encomendada pelo Serviço de
Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes
Lojistas (CNDL) capturou de empresários varejistas ouvidos em todas as capitais
brasileiras. Sete em cada dez (73%) comerciantes conseguiram a tão sonhada estabilidade:
estão consolidados no mercado há mais de cinco anos. Para a maioria (73%) dos
entrevistados, o faturamento em 2013 será ainda melhor que o obtido em 2012.
Sem contar que 58% dos empresários revelaram que pretendem contratar algum
funcionário neste ano.
As razões mais citadas por aqueles que
acreditam que 2013 será um ano melhor que 2012 são o maior número de pessoas
empregadas (19%), a maior disponibilidade de crédito (14%) e o crescente
planejamento financeiro das famílias (11%). “É importante ressaltar que as
expectativas dos empresários são geralmente baseadas em percepções passadas.
Dessa forma, dada conjuntura econômica favorável ao consumo em 2012, é natural
que os empresários esperem um bom desempenho neste ano e não levem em
consideração fatores que comprometam o poder de compra do consumidor como a
inflação”, avalia a economista do SPC Brasil Ana Paula Bastos.
Contratações e investimentos
Quando questionados sobre ampliações no
quadro de funcionários, 58% dos varejistas entrevistados afirmaram que
pretendem contratar ou efetivar funcionários em 2013. Na avaliação dos
economistas do SPC Brasil, o número de comerciantes que não vão contratar (41%)
reflete a absorção da mão de obra disponível em 2012. “Isso pode ser facilmente
percebido pelas baixas taxas de desemprego verificadas em 2012”, explica Ana
Paula Bastos.
O estudo também revela que 57% dos
entrevistados pretendem fazer investimentos no próprio negócio em 2013. Para o
SPC Brasil, a atual conjuntura econômica brasileira com baixas taxas de
desemprego, expansão da oferta de crédito e crescimento dos salários acima da
inflação impulsionam o consumo e fazem com que empresários se sintam mais
confiantes para investir e se tornarem cada vez mais competitivos.
As principais áreas nas quais serão
realizados investimentos são ampliação e melhoria das instalações (27%),
divulgação e marketing (17%) e formação a ampliação de estoques (13%). “Nota-se
uma preocupação crescente dos empresários com a imagem da empresa, o que
constitui uma estratégia para que o varejista consiga se destacar diante da
acirrada concorrência”, avalia Bastos.
Perfil do negócio
A maioria (55%) dos comerciantes está
consolidada no mercado há mais de cinco anos. Para o SPC Brasil, este dado
demonstra que as empresas estão conseguindo se manter firmes no mercado, mesmo
frente a tantos desafios que encontram durante a gestão do negócio como alta
carga tributária, concorrência acirrada e falta de mão de obra qualificada.
Dados da pesquisa SPC mostram que a maior
parte dos entrevistados (69%) afirmou possuir até nove funcionários. Além
disso, 61% dos comerciantes têm apenas um único estabelecimento e 76%
declararam ter rendimentos abaixo de R$ 754 mil por ano. “Os resultados da
pesquisa indicam que, por qualquer que seja o critério utilizado, a maioria do
varejo brasileiro é formada por empresas de micro e pequeno porte”, afirma Ana
Paula Bastos.
Cenário econômico em 2013
De acordo com os entrevistados, os aspectos
do atual cenário econômico que mais influenciarão positivamente o comércio
varejista em 2013 serão o aumento do poder de compra da classe média brasileira
(89%), a queda nas taxas de juros (86%), as melhorias em infraestrutura urbana
e o aumento do volume de crédito (78%).
No entanto, os entrevistados consideram que o
aumento da inflação (82%), a alta no preço dos combustíveis (78%) e o aumento
da inadimplência (76%) são os fatores mais temidos em 2013.
Metodologia da pesquisa
O estudo foi encomendado pelo Serviço de
Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes
Lojistas (CNDL). Foram ouvidos 615 varejistas em todo país. O levantamento foi
realizado em todas as capitais brasileiras, com alocação proporcional ao
tamanho da população economicamente ativa (PEA), com margem de erro de 4,0% e
um intervalo de confiança de 95%.