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(Silvio Waisbord - La Nacion, 05) 1. São necessárias as conferências de
imprensa com ampla participação do jornalismo? Nas democracias, as
conferências de imprensa são aceitas como um ritual habitual. Eles fazem
parte do papel de parede político comunicacional que decora a ação política
e as rotinas do jornalismo. Espera-se ainda que os chefes de Estado com
"misantropia midiática", relutantes em encontrar-se com o
jornalismo em espaços abertos por falta de talento ou interesse
estratégico, se submetam a interrogatórios públicos. É equivocado pensar
que as conferências de imprensa existem por amor a liberdade de expressão
ou pela paixão ao debate aberto, pódio no meio, entre o poder político e o
jornalismo.
2. Nasceram e se consolidaram em meados do século passado nas mãos das
mudanças políticas e comunicacionais. Eles expressaram o crescente poder de
presidentes e primeiros-ministros, e os desejos do jornalismo de estar em
pé de igualdade com os funcionários públicos. Eles são o produto de um
casamento de conveniência, mas que um sonho lírico democrático ou uma
obrigação constitucional.
3. Antigamente, as “conferências” de imprensa propiciavam momentos íntimos
em que os presidentes citavam os jornais, especialmente seus colunistas
preferidos, para ter conversas em “off”. Eles perceberam que as
conferências de imprensa de ampla convocação são momentos importantes para
reforçar seu poder comunicacional e político, mas, além disso, poderiam ser
submetido a perguntas incômodas.
4. O público principal não é a imprensa, que é pouco mais do que um
convidado obrigatório para alcançar tanto eleitores como legisladores. São
momentos para que os chefes de estado construam a agenda de notícias e
sobressaiam na cena midiática carregada de ruído de informação. São
oportunidades para criar "acontecimentos noticiosos" que
inevitavelmente atraem o jornalismo. Refletem as ambições de reforçar sua
presença na mídia e mostrar suas habilidades de persuasão, enfatizando a
importância de determinados temas e objetivos de governo.
5. Se fosse pela vontade daqueles que preparam as estratégias de
comunicação oficiais, bastaria que os jornalistas, câmeras, luzes e
microfones fossem apenas objetos decorativos. A frequência das conferências
de imprensa reflete cálculos estratégicos baseados nos pontos fortes e nos
pontos fracos da comunicação de cada chefe de Estado.
6. O surgimento das conferências de imprensa como evento público também
expressou o interesse do jornalismo nos países ocidentais para obter
legitimidade social, de ser percebido tanto dentro como fora como uma
relação estreita e crítica ao mesmo tempo, e em pé de igualdade no que diz
respeito ao poder. A demanda por encontros regulares e abertos reflete um
crescente consenso sobre princípios básicos, enquanto aumentou a
consciência profissional dos jornalistas e a coragem de questionar os
chefes de Estado em fóruns públicos.
7. A democracia precisa das conferências de imprensa. São oportunidades
para que se tornem públicos, temas que nem sempre se ajustam estritamente a
agenda oficial. Não se deve exagerar seu potencial de descobrir verdades
urgentes, que são postas em cena montadas com muito cuidado. Longe de serem
espaços para diálogos francos, são danças de respeito, com códigos claros,
que de tempos em tempos colocam os chefes de governo em situações
incômodas.
8. Não existe script firmemente estabelecido, nem surpresas constantes. Mas
oferecem um buraco de fechadura à linguagem corporal e expressões faciais
do poder oficial, particularmente em momentos em que as estratégias
finamente costuradas começam a se desfiar. Como qualquer ritual, oferecem a
possibilidade de diálogos impensados, declarações espontâneas que de
repente iluminam pensamentos relevantes e uma comunicação não verbal que
pode projetar o que não se quer comunicar.
9. As conferências de imprensa mantem um valor simbólico. Indicam a
intenção presidencial de falar com todos os eleitores, com a imprensa que
aplaude e a que critica, aos próprios legisladores e aos outros. Sugerem
que o jornalismo considera necessário exibir suas credenciais de monitor da
ação oficial. São rituais que lembram que tanto a política como o
jornalismo servem ao bem comum. E resultam emblemáticas da ideia de que a
democracia deve ter espaços para o encontro da diferença, e de que a
comunicação governamental não deve se limitar a câmaras de eco revestidas
com enormes espelhos.
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