MARIANNA
ARAGÃO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
A redução nas taxas de juros para financiamento de veículos, anunciada
por bancos públicos e privados na semana passada, terá efeito limitado nas
vendas de automóveis.
A avaliação de entidades e especialistas é que as regras para concessão
de crédito dos bancos vão continuar rígidas, dado o índice de inadimplência
recorde no país.
Bancos oferecem novas taxas de juros a partir de
segunda; compare
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A taxa que considera atrasos acima de 90 dias chegou a 5,5% em
fevereiro, o maior patamar da série do Banco Central, iniciada em 2000.
Além disso, para preservar sua rentabilidade, potencialmente reduzida
com as novas taxas, as instituições financeiras deverão ser ainda mais
seletivas ao conceder novos empréstimos.
"Não haverá uma explosão de crédito", diz Décio Carbonari,
presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras
(Anef).
Segundo ele, as taxas de juros mais atrativas serão concedidas somente
aos clientes com bom histórico de pagamento e de relacionamento com o banco.
"Haverá crescimento, mas limitado ao crédito de melhor qualidade, o que é
positivo para o setor."
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Editoria de Arte/Folhapress
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Para Paulo Roberto Garbossa, professor do Centro de Estudos Automotivos
(CEA), os clientes que compram automóvel pela primeira vez serão os mais
afetados com o maior nível de exigência dos bancos.
"Quem já tem financiamento -e paga em dia- terá facilidade em obter
as novas taxas", afirma.
As reduções nas taxas chegam a 25% -caso da Caixa Econômica Federal, que
tem a menor taxa mínima do mercado, de 0,89% ao mês.
Em fevereiro, a taxa média de juros praticada pelo mercado brasileiro
foi de 2,01%. Nas financeiras de montadoras, o índice foi de 1,54%.
Metade das vendas de automóveis no país são feitas atualmente através de
financiamento. Em 2009, elas eram somente 33% do total.
CENÁRIO
O avanço nos financiamentos, ainda que moderado, e a possível redução da
inadimplência devem ajudar o setor a alcançar um resultado positivo em 2012.
Segundo a consultoria CSM Worldwide, a previsão é que as vendas cresçam
2,9% neste ano em relação a 2011. "O impacto das medidas mudará o cenário
a partir do fim de maio", diz Fernando Trujillo, consultor da CSM.
As financeiras das montadoras também já percebem aumento no número de
acordos com consumidores inadimplentes.
No banco Volkswagen, o número de acordos cresceu cerca de 30% em março
em comparação com o mesmo período de 2011.
"As pessoas estão trabalhando para colocar seus pagamentos em
dia", diz Carbonari, da Anef.
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