Publicado no Ex-Blog do César Maia em 19.04.2012
1. As eleições nacionais no Brasil têm seguido uma lógica que permite avaliar
as alternativas para 2014. Incluindo a eleição de 1986, por seu caráter
Constituinte, podemos dividir essas sete eleições em 3 tipos. As eleições de
1986 e de 1994 tiveram, como vetor conduzinte, planos econômicos ocorridos no
ano eleitoral de forte impacto popular em relação à renda e ao emprego: o Plano
Cruzado e o Plano Real. Nesse bloco econômico, se enquadra -de forma
inversa- a eleição de 2002, em uma conjuntura de grave crise econômica, abrindo
a vitória para a oposição.
2. As eleições de 1989, 2006 e 2010 tiveram como vetor conduzinte o carisma dos
vencedores, entendendo a eleição de 2010 como vitória do presidente no auge da
popularidade e galopando uma economia artificialmente aquecida.
3. A eleição de 1998 foi uma eleição a fórceps, onde se combinou o uso do
anti-carisma ou do risco de vitória do PT, e de uma economia artificialmente
sustentada por populismos -cambial e fiscal. É um caso que se explica conjunturalmente
e que só poderia levar a vitória com um condutor de alta respeitabilidade, ao
qual a opinião pública não poderia imaginar o jogo que jogava. O custo
econômico e político de tais artificialidades foram no pântano do segundo
governo, cujo custo de imagem popular se alonga até hoje.
4. A eleição presidencial de 2014 parte com dois personagens que não são
enquadráveis como carismáticos. Um deles, de oposição, será um operador de
apoios e alianças, pela credibilidade que tem junto aos políticos, construindo
dessa forma o edifício de sua campanha. A outra, sem contar mais com seu Anjo
Gabriel, pelos fatores combinados de menor mobilidade por razões físicas e do
tempo fora do poder.
5. Além do mais, não haverá espaço para populismo econômico, sob pena de um
desarranjo conjuntural. O quadro econômico de 2013 é de alto risco, com a
economia brasileira tendo gasto suas gorduras e resistências em 2012. Mantendo
o padrão atual de gestão, a economia em 2014 não favorecerá nem a um nem a
outro, nem ao governo nem a oposição.
6. O espanto do PT com o risco de perda da máquina que montou o levará ao uso
desesperado da mesma. O risco de que isso gere uma turbulência econômica
produzirá resistências internas e abrirá uma cunha para a entrada do projeto
político de seu opositor. 2010, 2011 e 2012, mostram que a presidenta não tem
habilidade para competir nesse vetor. Estudos econométricos mostraram que o PT
não é o condutor do voto, mas seu líder.
7. Uma eleição entre máquinas políticas, sem economia como fator decisivo, abre
um enorme espaço para uma terceira via: o surgimento de um personagem com dose
alta de carisma. É esse o vetor disponível, em 2014. E como política não tem
vácuo, o personagem aparecerá, e se tornará competitivo.
8. Talvez 1989 ajude a entender, com um personagem aparecendo do nada em torno
de um "pato laqueado" em Pequim. E a presidenta de imagem insípida,
correrá para o Maracanã na expectativa que seja seu único salva vidas. Bem...,
pode ser..., mas essa âncora não tem funcionado.