
Novas poupanças serão corrigidas por Selic mais TR.
Remuneração será menor para permitir queda do juro, diz
governo.
O governo anuncia nesta quinta-feira (3), por volta
das 18h, mudança no rendimento das cadernetas de poupança. A alteração será
feita por medida provisória.
Para os depósitos já feitos até esta quinta-feira,
não haverá mudança – o rendimento permanecerá em 0,5% ao mês, mais TR (taxa
referencial). Os novos depósitos terão uma remuneração menor, de 70% da Selic,
mais TR. Os rendimentos da caderneta continuarão isentos de pagamento do
Imposto de Renda.
A TR (Taxa Referencial) é calculada usando uma
média ponderada das taxas negociadas no mercado de CDBs, que são títulos
privados dos bancos. Atualmente, a TR mensal está em torno de 0,08%.
Já a Selic, atualmente em 9%, é usada como base de
remuneração para titulos da dívida do governo – ou seja, quanto o governo paga
para financiar sua dívida.
Queda da Selic
O governo argumenta que a medida é necessária para que o Banco Central continue reduzindo a Selic.
O governo argumenta que a medida é necessária para que o Banco Central continue reduzindo a Selic.
Atualmente, os juros básicos da economia, definidos
a cada 45 dias pelo Banco Central, estão em 9% ao ano, pouco acima do piso
histórico de 8,75% ao ano, que vigorou entre julho de 2009 e abril de 2010, na
primeira etapa da crise financeira internacional.
Um recuo mais forte da taxa de juros, abaixo de
patamares mínimos já registrados (8,75% ao ano), poderia comprometer a chamada
"rolagem" da dívida pública, que é a emissão de títulos públicos pelo
Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo.
Na poupança, está assegurado o rendimento de 6% ao
ano mais Taxa Referencial (TR). A modalidade de investimentos também não tem
tributação do Imposto de Renda, diferentemente dos fundos de investimentos, nos
quais a alíquota do IR varia de 15% a 22,5%, dependendo do tempo de aplicação.
Sem uma mudança no rendimento fixo da caderneta,
essa aplicação acaba se transformando num piso para as taxas de juros, que não
podem recuar abaixo de um determinado patamar, sob risco de a poupança se
tornar mais atrativa do que os fundos de renda fixa. Com isso, a população, e
até mesmo os grandes aplicadores, podem migrar para a caderneta – deixando o
Tesouro Nacional com menos compradores dos títulos públicos (que são emitidos
para pagar os papéis que estão vencendo).