Publicado originalmente no Ex-Blog do César Maia em 03.05.2012
1. O caso mensalão e a CPI dos Correios, assim nominada por ter sido deflagrada em base a um vídeo com um assessor do gabinete do ministro José Dirceu recebendo dinheiro, transcorreu no segundo semestre de 2005. A avaliação do presidente Lula afundou e, em outubro, seu ótimo+bom já era inferior ao ruim+péssimo. O PSDB, em vez de manter o processo em temperatura alta, achando que elegeria o presidente, deixou o caso em “banho maria” e iniciou uma disputa interna –de bastidores- por candidatura. Em março, uns 5 meses depois, o assunto havia esfriado e Lula voltava a ter avaliação positiva, mesmo que ainda insuficiente.
2. A CPI dos Correios ocorreu um pouco mais de um ano antes das eleições nacionais. Mesmo com o esfriamento, a diferença de Lula para Alckmin, no primeiro turno, foi de apenas 5 pontos. E, no segundo turno, mais de um ano depois, a vantagem de Lula foi reestabelecida. Mas, ainda assim, a bancada de deputados federais do PT caiu de 91 para 83.
3. A CPI do Cachoeira-Delta vai funcionar por seis meses, entre maio e outubro de 2012. Seu ponto culminante ocorrerá no coração da eleição municipal, entre agosto e setembro. Será inevitável a sinergia entre cobertura da imprensa, programas eleitorais e redes sociais. É o que se conhece nos últimos anos nos EUA como “marketing de grande semeadura”. O impacto sobre as eleições municipais será inevitável.
4. O primeiro deles acentuará o desgaste dos políticos e dos partidos em geral. Isso provoca dois desdobramentos: a) um aumento da soma abstenção+brancos+nulos; b) uma vontade difusa do eleitor, de renovação. O segundo tenderá a afetar mais que proporcionalmente os partidos que dirigem a CPI e que têm mais parlamentares nela. Por quê?
5. Depois de meses de matérias, telejornais, com grampos, caras e bocas, para o eleitor em geral as novas denúncias e grampos só terão foco se surgirem novidades destacando nomes de governantes, governadores e prefeitos, desintegrando candidaturas próprias ou vinculadas. Isso ocorre em cidades maiores, especialmente as capitais.
6. Supondo que não surjam estes casos emblemáticos, haverá inevitavelmente um impacto maior sobre os partidos que dirigem a CPI e que têm mais parlamentares nela. Suas siglas aparecerão proporcionalmente muito mais e, na medida em que os nomes não são nacionalmente conhecidos, ficam as marcas partidárias às quais pertencem.
7. Nesse sentido, a eleição de 2012 estará aberta a mudanças e surpresas que prioritariamente afetarão os dois maiores partidos que dirigem e dão volume a CPI: PT e PMDB. O relatório final desta só virá depois das eleições. Mas a coreografia em torno dela começa em maio e sua curva será ascendente a partir de junho, depois do aquecimento inicial, das definições de processo...
8. Qualquer projeção de cenários eleitorais em 2012 será precipitação antes que a água comece a entrar em ebulição em agosto.