Operação levaria instituição ao primeiro lugar do
ranking de bancos do Brasil
Publicado:26/05/12 - 23h26
Atualizado:27/05/12 - 1h22
PRÉDIO
DO Santander em São Paulo: uma das propostas é de troca de ações entre os
bancos, o que elevaria a liquidez da instituição espanhola
SÃO PAULO — O Bradesco está próximo de fechar a
compra das operações do Santander no Brasil.
O negócio para o banco espanhol, que já se desfez de operações no Chile e na
Colômbia, passou a ser imperativo em razão do agravamento da crise bancária na
Espanha, que tem exigido novos aportes de capital para fazer frente ao aumento
da inadimplência. Procurado pelo GLOBO, o Bradesco não quis
comentar a informação, e nenhum representante do Santander foi encontrado. Se
confirmada, a operação catapultaria o Bradesco da terceira para a primeira
posição no ranking dos maiores bancos de varejo do Brasil, ultrapassando de uma
só vez o Itaú Unibanco e o Banco do Brasil (BB).
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Pelos
números de março, Bradesco e Santander, juntos, somariam R$ 1,2 trilhão em
ativos e R$ 108,4 bilhões em patrimônio líquido, contra R$ 896,8 bilhões e R$
72,5 bilhões, respectivamente, do Itaú Unibanco. Já o BB fechou seu balanço no
primeiro trimestre com R$ 1 trilhão em ativos (por ora, é a única instituição
latino-americana a atingir essa marca) e R$ 60 bilhões de patrimônio líquido.
Negócio
ajudaria a capitalizar matriz
A
princípio, os controladores do Santander dizem não ter a intenção de deixar
completamente suas operações no Brasil, que hoje responde por mais de 30% do
resultado global do grupo. A primeira informação que circulou no mercado dava
conta do interesse do Santander de abrir mão de uma fatia entre 30% e 40% do
seu capital no Brasil. Considerando as estimativas feitas por alguns executivos
sobre o valor do banco (entre R$ 100 bilhões e R$ 160 bilhões, neste caso
incluindo o ágio pago na aquisição do antigo ABN Amro/Real), a transação
poderia chegar a R$ 64 bilhões.
O
Banco do Brasil estava entre os principais interessados e vinha negociando com
a instituição espanhola. Mas as conversas esbarraram na falta de acordo sobre
preço. Não se descarta no mercado a hipótese de o Bradesco, que é apontado até
agora como a instituição com mais chances de fechar a negociação, abocanhar o
controle total.
—
Não vejo o Bradesco como minoritário no negócio. Antes de ser vendido para o
Itaú, o Unibanco chegou a negociar com o Bradesco e a proposta colocada na mesa
era uma administração compartilhada. O Bradesco não aceitou na época — disse um
desses executivos a par das conversas.
Bradesco
e Santander iniciaram negociações há pouco menos de oito meses, mas as
conversas ganharam velocidade nos últimos dois meses. Uma das propostas é a
troca de ações entre os bancos, que asseguraria ao Santander a liquidez
almejada para capitalizar sua operação na matriz.
Se
confirmado, o negócio ainda terá que ser aprovado pelo governo. Comunicado
sobre as negociações, o governo manifestou de início preocupação com o aumento
de concentração de mercado. Mas o Banco Central já manifestou a alguns
interlocutores o receio de que as dificuldades enfrentadas pelo Santander na
Espanha possam contaminar as operações no Brasil. Por isso, não colocaria
obstáculos a um eventual acordo.
Esta
semana, as ações do BB caíram após rumores de que o banco estaria interessado
em adquirir a participação no Santander. O interesse pela aquisição de 49% do
banco espanhol, no entanto, teria sido vetada pela presidente Dilma Rousseff,
segundo o jornal “Estado de S.Paulo”. Segundo o jornal, Dilma teria determinado
ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que suspendesse as conversações. A
presidente teria visto no negócio o aumento da concentração do setor, num
momento em que o governo, em sua cruzada pela redução dos juros bancários,
busca uma maior concorrência entre os bancos.
Santander
fez várias aquisições no país
Desde
sua entrada no mercado brasileiro, em 1957, o Santander fez aquisições de
bancos de médio porte. Em 1997, o Grupo Santander comprou o Banco Geral do
Comércio, mudando o nome da instituição para Banco Santander Brasil. No ano
seguinte, adquiriu o Banco Noroeste e, em 2000, o Meridional, com a subsidiária
Banco Bozano, Simonsen.
Em
2007, o Santander Espanha participou de um consórcio com Royal Bank of Scotland
e Fortis para comprar o controle do capital do ABN Amro, que controlava o Banco
Real. A operação foi aprovada com ressalvas pelo Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade). No ano seguinte, um acordo com o Fortis deu ao Santander
a administração do ABN Amro no Brasil. O Santander Espanha também assumiu o
controle do Banco Real, quarto maior banco privado do país em ativos. E, em
2009, o Real foi incorporado ao Santander Brasil e extinto como pessoa
jurídica. Segundo o site do Santander, a incorporação está pendente da
aprovação do Banco Central do Brasil.