quinta-feira, 3 de maio de 2012

GABEIRA TAMBÉM IDENTIFICA NEGÓCIOS DE TURMA DO CABRAL

Publicado originalmente no Ex-Blog do César Maia, em 03.05.2012

                
(Valor, 03) 1. Factoring entra na mira da investigação. Os contratos entre a Delta e o governo do Rio podem ter sido alvos de uma triangulação que envolveu empresa de factoring. O ex-deputado federal Fernando Gabeira (PV) pegou carona nas denúncias que vêm sendo feitas pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR) contra o governador Sérgio Cabral (PMDB) e identificou Georges Sadala Rahin como o dono da empresa de factoring que faria a intermediação e facilitaria a lavagem de dinheiro. Sadala aparece nas fotos veiculadas no blog do Garotinho em que Cabral confraterniza com o dono da Delta, Fernando Cavendish, em Paris.
               
2. Nos últimos dias, Garotinho vinha prometendo revelar o nome do último personagem que estava em fotos divulgadas em seu blog. Mas foi Gabeira quem primeiro contou que trata-se de Sadala, dono da factoring Lavoro, especializada em comprar recebíveis de dívidas de empreiteiras com o Estado. "É o meio de campo entre empreiteiras e Estado" afirma Gabeira em seu blog. Segundo especialistas do mercado, em tese, a operação de venda de direitos creditícios, títulos de dívidas, é comum. Alguns deles, porém, estranharam o fato de empreiteiras se utilizarem deste mecanismo, já que elas devem demonstrar ter capital suficiente ou uma fonte de financiamento para se candidatar à licitação de uma obra pública.
              
3. Segundo advogados ouvidos pelo Valor, a factoring pode atuar de duas maneiras para lavar o dinheiro de contratos públicos. Na primeira, uma empreiteira recebe dinheiro proveniente de atividades ilegais e simula, em conluio com uma factoring, um empréstimo: o dinheiro sujo recebido é repassado à factoring, que justifica a entrada de caixa com qualquer operação financeira (como emissão de papéis). Em seguida, "empresta" esse dinheiro à empreiteira, que agora tem um dinheiro lavado em mãos, pois se trata de valores obtidos por meio de empréstimo. A factoring nem precisa justificar as parcelas não pagas depois, já que o calote é justamente o risco desse negócio.
                  
4. A segunda alternativa é mais simples. Uma empreiteira vende créditos inexistentes a uma factoring. Para lavar dinheiro proveniente de atividades ilegais, entrega esse dinheiro à factoring, simula a venda de recebíveis e recebe o mesmo dinheiro que entregou. Assim o dinheiro sujo foi inserido na economia - a empresa justifica dizendo simplesmente que vendeu recebíveis.