Li no "Ex-Blog do César Maia", dia 14 passado, uma opinião dele que achei bastante interessante. O Professor César Maia (trato-o assim, apesar de ter sido Secretário de Fazenda de Brizola, Deputado Federal e Prefeito do Rio porque antes de Brizola eleger-se Governador do Estado do Rio de Janeiro pela primeira vez em 1982, eu já estudava na Federal Fluminense e César era Professor da Faculdade de Economia e Administração da UFF) mostrava o que chama de ser um erro "crasso", primário em política, que é fazer oposição à Dilma com o olho em Lula. E faz a crítica diretamente ao PSDB.
Dizia ele: " -Até porque o populismo de Lula mitificou sua liderança, dando a ela um caráter "religioso". Se é uma farsa e pode ser desmontada, não será em curto prazo. Tenham paciência e acompanhem o governo Dilma ir batendo em seus icebergs. E deixem a população, naturalmente, pelo ruído das ruas, fazer a conexão." .
Eu, que sou situação em meu Estado (Tocantins, Governador Siqueira Campos, PSDB) e oposição ao Governo Federal vejo em sua colocação muita racionalidade. Siqueira assumiu seu terceiro mandato e com menos de um mês as críticas começaram, e duras. Senão, vejamos os outros argumentos que me parecem bastante sólidos (e maduros) e entendo devam ser vistos por meus colegas de partido pelo menos como pontos de reflexão:
" 1. O PSDB carrega o carma de Lula ter dado continuidade a algumas de suas políticas e ter ficado com o mérito. O PSDB carrega o carma de ter sido derrotado por Lula. E traumatizou essa relação. E quer buscar a forra.
2. Se o alvo é Lula, o resultado será a população concordar com ele e não com a oposição, e ainda tirar Dilma, que é a presidente, de foco, aliviando a tendência dela à perda progressiva de popularidade. Que o PSDB esqueça Lula, deixe-o fazer palestras e mostrar sua angústia por estar fora do poder.
3. E que se faça oposição à Dilma, mostrando sua incapacidade politica para a gestão. E que se lembre -no caso do ministério dos transportes- que era ela a todo poderosa "mãe do PAC", que aprovou tudo. E que não deixe parecer que é problema de Lula. Se ela sabia de tudo como ministra coordenadora e controladora, e Lula indicou o ministro, foi uma traição não ter informado a ele antes e depois, e pedido uma alternativa.
4. As coisas vão mal e, depois de quase sete meses de governo, a responsabilidade de Dilma é inescapável."
A incapacidade de lidar com problemas políticos - coisa que Lula tinha de sobra, era só dizer que não existia o problema - é marca registrada de Dilma, que não quer confusão perto dela, mas como governar sem uma patota que faça bobagens por perto é, quase sempre, impossível, dentro de alguns anos as verdades irão aparecendo e os castelos de areia do populismo sumindo, desmanchando-se, na mesma velocidade, pois sempre foi assim ao longo da história. Daí a necessidade de o PSDB atirar no alvo certo.
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