Não tive a honra e o privilégio de conviver com o Sen.Itamar Franco. No máximo, desentendimentos, debates e compreensão. Itamar era um homem correto. Folclórico, mas correto. Tive desentendimentos quando Itamar, Senador pelo meu partido, na época, o PL, apresentou Projeto de Lei pedindo a extinção dos Serviços de Proteção ao Crédito (SPCs). Eram tempos pré-Constituinte e vários deputados e senadores apresentavam projetos demagógicos, que pudessem (na visão deles), garantir uma fatia gorda do eleitorado.
Era muito difícil para a classe política, míope que sempre foi aos problemas da população,enxergar que o SPC, por si só, funcionava como um avalista anonimo de qualquer pessoa que precisasse adquirir um bem, trocando a figura complicada do fiador por uma ligação telefônica. Graças a isso, a indústria pode se desenvolver, gerar empregos, desenvolver o comércio e a sociedade. Itamar era um homem vivido, inteligente e não creio que seu problema tenha sido, como de outros tantos, de miopia, mas de demagogia. Por isso brigamos até que o Projeto ficasse encostado.
Itamar foi, também, uma espécie de avalista moral do jovem Presidente que, em arroubos de juventude e demonstração de músculos corria de moto, pilotava Ferrari, tentava jogar futebol com a seleção e voltou prá casa mais cedo. Itamar foi o contra-ponto: quem votou na aparência e na modernidade do fast-food de Collor, levou prá casa, tempo depois, o pão-de-queijo de Minas, o relançamento do Fusca e o escândalo da sua namorada ou acompanhante no camarote do Carnaval, sem calcinha, e que se remexia no melhor estilo para ser fotografada de baixo para cima. Itamar foi enredo de escola de samba no Rio (Lula será em São Paulo no próximo Carnaval)
Mas Itamar foi também o homem do Real, que buscou a estabilidade da moeda e que não saiu melhor ainda da situação porque deixou, de certo modo, que Fernando Henrique "grilasse" o seu Plano para depois candidatar-se à Presidência.Chamou para si a responsabilidade da execução, peitou tudo e foi.
Antes de fechar com Collor, PMDB em crise quando os políticos se reuniram e não tinham cara (e não tiveram jeito pá dizer ao virtual candidato da sigla, Ulisses Guimarães que não o queriam candidato - e), Itamar ofereceu-se para concorrer, o que valeu a brincadeira de um político que disse que Minas era realmente muito estranha("Em Minas, o Mar é de Espanha, o Juiz é de Fora e o candidato de outro partido).
Esse era o Itamar. Um homem de seu tempo, e às vezes, fora da realidade, mas acima de tudo um homem correto, experiente e que vai ainda nos fazer falta. Descanse, Itamar.
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