quinta-feira, 14 de julho de 2011

CADE olhou para o varejo e esqueceu produtores no caso BR Foods

Cade aprovou fusão de Sadia e Perdigão com restrições.

'Foi perdida a oportunidade de induzir maior competição', diz criador.

A aprovação da fusão entre Perdigão e Sadia, que criou a Brasil Foods (BRF), reduz o poder de negociação dos produtores de aves e suínos com as agroindústrias na medida que concentra grande parte do mercado em uma só companhia. Entidades que representam os criadores dizem que, na análise da operação, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) olhou apenas os danos potenciais ao varejo e deixou de lado os prejuízos aos produtores.
"A aprovação era inevitável, mas o Cade deveria ter olhado também para quem fornece as matérias-primas. No fim, preocupou-se apenas com o varejo", afirmou Marcelo Dias Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). Durante o processo, a entidade enviou sugestões ao Cade para aperfeiçoar o sistema de parcerias entre empresas e criadores, mas elas foram desconsideradas, segundo Lopes.
"Foi perdida a oportunidade de induzir maior competição no mercado de suínos para abate", disse, lembrando que o segmento é composto em sua maior parte por pequenos produtores. "Antes, havia maior concorrência no pagamento pelos animais, nos benefícios aos integrados. Perdemos poder de barganha".
Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), disse que desde que as duas companhias se juntaram, em maio de 2009, o produtor integrado, que tem contrato de fornecimento com as empresas, perdeu em torno de 10% de lucratividade. Mas ele pondera que as restrições impostas pelo Cade, como a venda de marcas, fábricas e granjas, pode compensar parte da perda de concorrência no mercado comprador de animais.
"Se a fusão tivesse ocorrido na forma inicialmente proposta seria pior. O fato de a empresa ter que vender ativos vai diversificar um pouco mais o mercado", avaliou.
O diretor executivo da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Ricardo Gouvêa, tem opinião diferente e vê benefícios aos produtores, especialmente os integrados. "A fusão une duas empresas que sempre tiveram boas práticas junto aos produtores. Além disso, há hoje uma equivalência nas políticas adotadas entre grandes e pequenas empresas", considerou.
arte fusão Sadia e Perdigão (Foto: Editoria de Arte/G1)