sexta-feira, 2 de setembro de 2011

BC surpreendeu para não ser surpreendido

Li agora um artigo, da corretora Spinelli, de autoria de Ian Alberto Ribeiro Christiani que considerei muito bom e, por isso, resolvi repicá-lo aqui.


Banco Central surpreendeu para não ser surpreendido

Acaba de ser publicado o nível de desemprego dos EUA! Estável em 9,1%... Entenda: a economia americana não gerou emprego no mês de agosto. Ah sim, enquanto isso na França o desemprego ficou no mesmo patamar, mas esta noticia a respeito da segunda economia européia não chamou tanta a atenção assim por aqui... Descaso? Falta de internet? Sei lá...  Além disso, instituições mundo a fora continuam reduzindo suas previsões para o crescimento da China, dessa vez foi o Barclays, que rebaixou para 9,1% a.a (trabalhamos com 8,5% a.a). Também foi publicado nosso PIB  segundo o IBGE! O trimestral 0,8% (anterior: 1,3%) acima apenas da média de 12 meses, anualizado 3,1% (anterior: 4,2%) abaixo de todas as médias e em trajetória decrescente . Este último talvez justifique mais a surpresa dada do que o cenário externo incerto, contrariando as nossas previsões de manutenção da SELIC em 12,50%.

Confesso que quando ouvi a notícia, muito me espantou o fato do Banco Central deixar de controlar os preços em detrimento da atividade econômica interna, sendo que se há inflação, teremos a redução no ritmo da economia interna devido à falta de confiança dos consumidores (que não assumirão novas dívidas) e empresários (pela incerteza de retorno). E por falar em confianças do mercado interno, vale lembrar que na última medida feita pela FGV a confiança do consumidor ficou em 114,10 (abaixo da média de três meses: 114,7) em queda, assim como a do empresário medido pela CNI teve queda: 57,9 (abaixo das médias de 3, 6 e 12 meses), mostrando que a oferta e o consumo já se encontram comprometidos. Com isto ficou claro que o governo prefere manter uma relativa pressão inflacionária para estimular a oferta, mas o problema é que ainda assim a inflação irá deteriorar o poder aquisitivo reduzindo então o consumo.

Não poderia deixar de comentar o desempenho do IBOV (valorização de 9% não contando a baixa de hoje, porque se contar, até o momento ficaria em 5,8%) desde a minha última publicação neste blog. É impressionante como os agentes do mercado estão se apegando a qualquer coisa para justificar seus posicionamentos, mas quem sou eu para questionar isso? Se nem o BC enxergando que a situação não está boa, se expondo ao ponto de acharem quem ele não está acertando a mão de equilibrar economia, os agentes se convencem disso, nada mais me surpreende. Sabe, existe um lado bom no fechar os olhos para o futuro, porque a persistência de um cenário deteriorado iria cada vez nos levar para uma crise mais aprofundada, então até que DEUS mandou algo para equilibrar o cenário enquanto a situação não se resolve ou toma um rumo mais certo.





Sobre o autor:
Ian Alberto Ribeiro Christani é Analista Econômico registrado sob o nº 112, folha 4, pela Ordem dos Economistas do Brasil, reconhecida pela Portaria nº 57, de 11 de janeiro de 2005, publicada no Diário Oficial da União em 12 de janeiro de 2005.

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