segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Bolsa tem a maior queda desde outubro de 2008


Ibovespa patina com downgrade norte-americano, flerta com circuit breaker e defende nova mínima do ano   
A bolsa brasileira também flertou com o circuit breaker, ao acumular baixas de mais de 9% no meio da tarde. Ao final das negociações, o giro financeiro foi de R$ 9,599 bilhões.
8 de agosto de 2011 - Sentindo mais uma vez os efeitos da onda de pânico que assolaram os mercados acionários globais nesta segunda-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o pregão desta segunda-feira em queda de 8,08% aos 48.668 pontos, renovando, pela quarta vez no mês, a mínima do ano.
Nesta jornada, a bolsa brasileira também flertou com o circuit breaker, ao acumular baixas de mais de 9% no meio da tarde. Ao final das negociações, o giro financeiro foi de R$ 9,599 bilhões.
Esse movimento, segundo relatório elaborado pelo Departamento Econômico do Bradesco, reflete a reação pessimista dos investidores ao rebaixamento do rating da dívida dos Estados Unidos, anunciado pela agência Standard & Poors (S&P) na noite da última sexta-feira.
Segundo o documento, o temor de um agravamento na situação econômica do país apagou o impacto positivo que a sinalização, feita pelo Banco Central Europeu, de aquisição dos títulos das dívidas dos países em dificuldades do continente poderia ter sobre os mercados.
Em Wall Street, o índice industrial Dow Jones caiu 5,54% aos 10.810 pontos. O S&P 500 recuou 6,66% para 1.119 pontos; e a bolsa eletrônica Nasdaq perdeu 6,90% aos 2.357 pontos.
Nos Estados Unidos, sem indicadores relevantes nesta jornada, a agência de qualificação de crédito Standard & Poor's rebaixou na última sexta-feira a qualificação da dívida dos Estados Unidos pela primeira vez na história ao passar de AAA, a máxima possível, para o degrau abaixo de AA+.
"O rebaixamento foi motivado pela consolidação fiscal estipulada pelo Congresso e pela Administração, que seria necessária para estabilizar a dinâmica de dívida a médio prazo do Governo", indicou Standard & Poor's em comunicado.
Deste modo, a agência de qualificação cumpriu as advertências de rebaixamento da dívida dos EUA que tinha emitido nas últimas semanas, durante as negociações no Congresso americano para elevar o teto de dívida e evitar a temida moratória.
Seguindo a mesmo tom pessimista, a agência de classificação de risco Moody's reiterou nesta segunda-feira o alerta de que pode reduzir a nota dos Estados Unidos antes de 2013 se as perspectivas fiscais ou econômicas do país enfraquecerem significativamente.
A Moody's acrescentou, no entanto, acreditar que o novo acordo de dívida de Washington pode reduzir o déficit antes disso.
"Para que o rating AAA seja mantido, nós iremos procurar novas medidas que resultem em uma relação dívida federal sobre PIB, por exemplo, atingindo o pico não distante do nível projetado em 2012 ou perto de 75% até meados da década, e declinando a partir de então no longo prazo", disse Steven Hess, analista da Moody's, em nota.
Nesta tarde, em pronunciamento oficial, o presidente Barack Obama afirmou que os mercados continuam percebendo que o crédito dos Estados Unidos é de "máxima categoria" e que os atuais problemas financeiros da nação "têm solução".
Obama sustentou também que os investidores se preocupam com a incapacidade política para encontrar essas soluções. "Os mercados sobem e descem, mas este é os EUA, e não importa o que ocorra, seremos sempre um país AAA", encerrou.
No Velho Continente, para evitar que os países da região sejam contaminados pela crise, o Banco Central Europeu (BCE) informou que irá "implementar ativamente" um programa de compra de títulos de países da zona do euro para evitar hoje mais um dia turbulento no mercado financeiro. Sem citar os países, o comunicado divulgado ontem após a reunião é direcionado à Espanha e à Itália.
As aquisições do BCE podem ajudar Roma e Madri a conter a especulação, além de baixar o custo da dívida italiana e espanhola, até que medidas adicionais para conter a crise sejam aprovadas na União Europeia.
As duas reuniões extraordinárias ocorridas ontem mostram o nível de preocupação das autoridades com a volatilidade das bolsas e a ameaça à recuperação da economia, ainda combalida pela crise de 2008.
Na última semana, o custo da dívida dos dois países aumentou, o que pode piorar ainda mais a situação de endividamento. As autoridades europeias tentam evitar a necessidade de mais um resgate financeiro, depois dos pacotes para a Irlanda, Portugal e os dois resgates da Grécia.
Na agenda econômica europeia, a confiança dos investidores na zona do euro recuou em agosto, após elevação inesperada em julho, de acordo com o Instituto Sentix.
O índice que mede as expectativas, posicionamento e preferências de investimento dos aplicadores recuou de 5,3 em julho para -13,5 em agosto, contrariando expectativas, que eram de queda para 3,6.
O dia terminou sem cotações em alta na BM&F.
As principais baixas ficaram por conta da Marfrig ON (-24,17% a R$ 9,10); OGX Petróleo ON (-16,36% a R$ 9,20); Ecodiesel ON (-15% a R$ 0,51); LLX ON (-14,60% a R$ 3,10); e Embraer ON (-12,41% a R$ 8,54).

(Redação - www.ultimoinstante.com.br)

Conforme estivemos mostrando ao longo dos últimos trinta dias, adiando aqui e ali, nos percalços de Obama, nas discussões do Congresso Norte-americano, no possível calote da Grécia, no risco de contágio da Espanha e da Itália, parece que estamos revisitando a crise de 2008, que assolou todo o mundo.  Não houve, na BM&F, nenhum registro de alta e a BOVESPA chegou a cogitar o circuit braker, que é acionado quando a baixa chega a 10% e interrompe-se o pregão.  A maior baixa desde outubro de 2008, quando eclodiu a crise.  O Banco Central, nos últimos minutos do pregão interferiu na taxa de corte do dolar, que teve forte alta, sobretudo pelo fato de que não se tem, por maior que seja o campo de visão, uma solução rápida ou mágica para os desmandos da crise.  A solução, ao que parece, é esperar e ver o quanto o mercado aguenta, após socorrer os países mais endividados.


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