segunda-feira, 5 de março de 2012

Mulheres na Liderança: Amália Sina é executiva,escritora,professora,esposa e mãe

No currículo invejável estão as empresas Philip Morris, Walita e Philips
5 de março de 2012 - Pode parecer, aos olhos de muitos, uma loucura deixar cargos importantes dentro de grandes empresas para seguir um sonho: montar o próprio negócio. Neste contexto podemos citar como exemplo, Amalia Sina.

Reconhecida como uma das executivas mais bem sucedidas de sua geração - foi presidente da Philip Morris, Walita, vice para a América Latina da Philips - Amalia confere parte de seu sucesso ao fato de conciliar diferentes papéis na sociedade como, executiva, escritora, professora, palestrante, mãe e esposa.

Um dia, depois de 28 anos de experiência profissional, decidiu pôr em prática o sonho de negócio próprio e criou a "Sina Cosméticos". A empresa tem uma linha de produtos com mais de 100 itens para cabelo, corpo, banho, rosto e casa espalhados pelo Brasil.

A decisão de tirar fatia do bolo das gigantes do setor não intimidou a empresária que está no mercado há seis anos. "Começar um negócio por si só já é um desafio e sendo a escolha o segmento de cosméticos se torna ainda mais. É um mercado que cresce em média 15% ao ano há 24 anos consecutivos e isto atrai muita concorrência. São mais de 1.700 empresas de cosméticos em todo o Brasil, sendo 700 delas apenas em São Paulo", explica Amalia que enfrentou também outro desafio: o de ser mulher atuando num universo masculino.
"Apesar disto, quem tem qualidade, criatividade e capacidade de gestão consegue obter bons resultados. A mulher leva vantagem, pois conhece os produtos naturalmente, pois sempre se utilizou deles em sua vida. A mulher brasileira é especialista em cabelos, segmento que representa 25% do total do mercado de cosméticos" avalia e arremata: "este fato coloca o Brasil entre os melhores países do mundo para fazer negócios no setor e a mulher brasileira no topo da lista de quem mais entende do assunto".

Quanto ao papel da mulher na liderança, a executiva considera este momento muito importante, já que o País está nas mãos de uma mulher. "Fiquei feliz com a eleição da Sra. Dilma, não apenas porque votei nela, mas porque também acredito que uma mulher na Presidência do Brasil pode fazer diferença na forma como as políticas sociais serão desenhadas. Ainda assim, a mudança na vida da mulher contemporânea tem que levar em consideração a relação dela com o trabalho, que é a fonte de sua independência financeira e liberdade de ir e vir".

Nesta semana, quando as homenagens pelo "Dia Internacional da Mulher" acontecem em todos os segmentos da sociedade, a executiva faz uma reflexão sobre a participação do sexo feminino no ambiente de trabalho.

"O mundo dos negócios não é machista, mas é masculino, e sendo assim, os códigos que existem foram criados por homens, os quais as mulheres buscam decifrar. Sendo assim, para as mulheres é muito difícil chegar a altos cargos, pois nem todas estão dispostas a pagar o preço para conhecer as regras do jogo nas organizações", considera e completa: "há necessidade de se abrir mão de muita coisa importante para a escalada ao topo das empresas, como aquelas que eu tive a oportunidade de liderar. Uma destas escolhas é postergar a maternidade, aumentar o nível de stress, reduzir a qualidade de vida e o convívio com a família. Nem todo mundo quer viver desta forma, portanto, as empresas sabendo disto, não tem tanta preocupação com igualdade de salários e benefícios".

A equiparação salarial é sem dúvida um problema ainda marcante, chega a existir diferença na casa dos 20% em relação à mesma posição ocupada por um homem, segundo Amalia Sina

Ainda no ambiente de trabalho, ela explica que não bastasse o aspecto quantitativo, existe perda qualitativa. Por exemplo, quando um homem é direto e objetivo, ele é considerado assertivo. Quando uma mulher é direta e objetiva, ela é considerada, agressiva. "As empresas estão muito atrasadas nestes quesitos. Infelizmente". De acordo com estatísticas, hoje há um número significativo de mulheres que vão à luta, capitaneiam uma casa, correm com trabalho doméstico, com filhos e com o emprego. Um modo de vida bem diferente do tempo de nossas avós, onde a mulher era submissa ao homem. Seria esse um modelo de felicidade?

"A mulher sempre quis chegar onde está chegando, o que não significa que está feliz com o que encontrou. Trabalhamos para conquistar respeito e liberdade financeira, porém, o que não esperávamos é que seria a um custo tão alto. As famílias como um todo sofreram com a evolução da mulher ao longo das últimas duas décadas, quando saiu para trabalhar fora e os filhos e marido tiveram que se ocupar com parte do trabalho que era dela", explica.

Para ela, toda mulher ainda tem a segunda jornada, independente da classe social, sempre há a casa e a “dona da casa”. Isto implica em se ter grandes responsabilidades tanto no trabalho quanto em casa. "Basta ver que um filho quando cai e rala o joelho, ele chama “mamãe”, raramente o “papai”. A família é o esteio da sociedade e a mulher é o esteio da família, o que a torna um ser de pétalas e espinhos, com grandes alegrias, mas com grande pressão", aponta. Uma parcela da população feminina se diz economista por natureza. Hoje, muitas estão em cargos de alto escalão, discutem tudo e vão à Bolsa de Valores (inimaginável há 30 anos.

"No Brasil a mulher tem atuação forte no poder de compra de inúmeros itens e isto a torna um alvo importante para as empresas e veículos de comunicação. Para se ter uma ideia, 80% da decisão de compra de um produto é decidido pela mulher, os outros 20% ela influencia, ou seja, para que uma compra seja feita a opinião da mulher é sempre ouvida", diz Sina que afirma também que os homens precisam do aval feminino para compras que vão desde uma gravata até um hiate, ou seja, neste quesito a mulher ocupa lugar de destaque.

No que tange a ser executiva, mulher, esposa, empresaria, são papéis que ela consegue conciliar à medida que busca a sabedoria que está no equilíbrio entre eles.

Ter a coragem que decidir deixar grandes cargos para seguir o sonho, parece que tem sido a decisão de muitas mulheres. Muitas acabam se arrependendo num segundo momento, mas para a executiva da empresa de cosméticos não foi assim.

" Aos 23 anos tracei um objetivo claro para minha trajetória profissional: ser gerente antes dos 30, diretora antes dos 40 e presidente antes dos 50. Eu fui presidente aos 36 anos de idade, ou seja, muito antes do planejado. Isto significa dizer que, se eu soubesse que seria assim, teria ido um pouco mais devagar, não teria corrido tanto para chegar lá. Quando atingi o objetivo, por duas vezes, precisava ter novo desafio. Sou assim, inquieta, do tipo de pessoa que precisa ter ação o tempo todo", argumenta.

Em sua análise como profissional, Amalia Sina não se considera uma pessoa de gabinete, aquelas que se contentam com o morno, o confortável ou o comum, e quer pisar onde poucos pisaram e isto exige mudanças. "Deixei de ser empregada para empregar. Comecei a gerar empregos e isto fez toda a diferença para a minha alegria e satisfação profissional. E assim continuo minha jornada. Sempre que abro os olhos ao acordar, tenho a sensação de que um novo dia, uma nova pagina da minha vida está em branco, pronta para eu escrever. Assim, criar minha própria empresa foi um caminho natural", analisa.

Hoje depois de seis anos a empresária, já ensaia  pensamentos sobre o que será o próximo desafio, já que pretende criar novos negócios e inspirar muitas mulheres a fazer o mesmo. "Que venham os desafios!", finaliza.

(Ivonéte Dainese - www.ultimoinstante.com.br)


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