terça-feira, 6 de março de 2012

DIs devolvem ganhos à espera do Copom



Perto do fechamento, os contratos para abril de 2012 caíam 0,02 p.p a 9,78%.
Os Contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) devolveram os ganhos da manhã e encerraram o pregão desta segunda-feira em baixa na BM&F. O que se viu foi uma ligeira desvalorização em toda a curva de juros.

Perto do fechamento, os contratos para abril de 2012 caíam 0,02 p.p a 9,78%; os vencimentos para janeiro de estavam estáveis a 9,59%;  e os vencimentos para janeiro de 2017 e janeiro de 2021 cediam 0,03 p.p a 10,73% e 11,21%, respectivamente.

A mudança na trajetória dos juros foi puxada pela diminuição das especulações de um corte mais agressivo na taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), explicou o economista da Um Investimentos, André Mallet.

Segundo ele, nesta manhã, os juros reagiram à dúvidas junto aos investidores sobre o tamanho do corte na taxa Selic a ser anunciado nesta quarta-feira, visto que uma parcela do mercado acreditava em uma redução de 0,75 p.p, levando a taxa básica de juros para 9,75% ao ano.

"Agora a Dilma disse que no governo dela só quem fala de juros é o Tombini, desautorizando até ela mesma a falar de juros. Com isso o mercado realizou os ganhos da manhã. Agora a cotação segue de lado, praticamente zerando a alta da manhã", explicou.

Para os próximos dois dias, que antecedem o anúncio da nova taxa de juros, o economista afirma que a expectativa é que os juros futuros andem "de lado", pois o mercado aguarda uma redução de 0,50 p.p na taxa Selic.

"Até quarta o mercado não deve apresentar muita volatilidade, porque as apostas já foram feitas. O mercado está indo na direção de um corte de 0,50", encerra.

Por aqui, os especialistas ouvidos pelo Banco Central (BC) para composição do Boletim Focus, em 2 de março, estimam que a taxa Selic encerre 2012 em 9,50%, mesmo resultado da leitura anterior. Para 2013, a projeção ficou estável, permanecendo em 10,50%.

Na reunião de 18 de janeiro deste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir os juros em 0,50 p.p., para 10,50% ao ano.

A previsão de analistas do mercado financeiro para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), este ano manteve-se em 5,24% nesta semana. Para 2013, a estimativa subiu, saindo de 5,11% para 5,20%.

As projeções para o IPCA em 2012 e no próximo ano estão acima do centro da meta de inflação de 4,5%.

Para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), a estimativa recuou de 5,08% para 5,02% este ano, caindo de 4,85% para 4,83% em 2013.

A expectativa para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu de 4,64% para 4,63% este ano, mantendo-se em 4,90% em 2013.

No caso do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), a projeção desacelerou de 4,60% para 4,47% neste ano, recuando de 5% para 4,95% em 2013.

A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste foi mantida em 3,30%. Para 2013, a estimativa elevou, passando de 4,10% para 4,15%.

O índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços do Brasil avançou em fevereiro, marcando 57,1 pontos ante 55 pontos verificados em janeiro, acima do patamar de 50 pontos, marcando a quinta alta consecutiva. Cabe lembrar que a linha dos 50 pontos separa crescimento de contração.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apresentou queda na quarta quadrissemana de fevereiro, marcando variação de -0,07% ante 0,07% registrada na quadrissemana anterior.

Dentre os componentes do índice, todas as sete classes apresentaram queda em relação à quadrissemana anterior.

Fora da agenda econômica, nesta manhã a presidente Dilma Rousseff afirmou que cabe apenas ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, falar sobre política de juros e desautorizou declarações de qualquer outro integrante do governo sobre o tema.

Ontem (4), o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse, em entrevista, que a taxa básica de juros vem em uma trajetória de queda e que na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) essa trajetória irá se confirmar.

O Copom se reúne esta semana, nos dias 6 e 7, e as instituições financeiras apostam em uma queda na Selic para 10% ao ano. Atualmente, a taxa está em 10,5%. O comitê divulga a decisão sobre os juros básicos na quarta-feira (7).

(Rosangela Sousa - www.ultimoinstante.com.br)


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