O ciclo da vida se fecha para mais um amigo: Paulo Renato Souza. Por que tem de ser assim?
Sempre que se vai um ente querido, um amigo, uma pessoa próxima, do bem, gente fica se perguntando por que a vida é tão breve. Antonio Maria, em suas crônicas, dizia que ninguém morre na hora certa, sempre antes ou depois. Seu argumento era quase leviano. Dizia ele que se a pessoa era boa, todos dizem que "morreu tão cedo", do contrário, "já morreu tarde".
O fato é que não há hora certa e a nós, que ficamos, resta olhar o exemplo bom, a obra, a iniciativa de quem se foi e, se possível, seguí-la, lembra-la, enfim, busca qualquer maneira que justificasse, como que por encanto, que a pessoa poderia (o verbo certo é deveria) ainda, estar entre nós, trazer seu talento, nos brindar com sua inteligência, sua força moral. E isto Paulo Renato tinha de sobra. Era uma das reservas morais do país.
Cheio de planos, de uma sagacidade invejável e uma preocupação com as grandes causas brasileiras, sobretudo a da educação, de um coração maior que o mundo (não conheço alguém que tenha o que falar dele), saiu prá descansar sabendo que ainda não era sua hora - seu coração não aguentou.
Paulo, companheiro, descanse em Paz. Não ligue para as bobagens que por ventura façamos por não ter mais você para aconselhar, chamar ao debate e instruir A vida, vida louca, nos coloca numa espécie de fila onde não falta senha prá ninguém. Na verdade é o único atendimento que funciona mesmo. É este último, o do chamamento prá outras missões e desafios, que sequer sabemos qual é. Pobres de nós diminuídos com a sua ausência. Pobre do país que não o produziu em escala.
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