Dívidas são a primeira ordem para o 13º
Erica Martin e Pedro Souza Do Diário do Grande ABC
E se o dinheiro for suficiente, liquide todas as contas atrasadas e para vencer em data próxima, orienta o especialista em finanças pessoais Maurício Galhardo. Esta é a primeira ordem para quem está endividado. Abrir espaço para que o próximo salário não tenha destino certo facilitará a organização financeira. É isso que a servente geral Luciene da Silva, 43 anos, pretende fazer.
“A primeira coisa será pagar as dívidas. Principalmente as do cartão de crédito”, afirmou Luciene, que mora em Santo André. “É tão pouquinho que não vai dar para guardar”, brincou.
Não muito diferente será o destino da primeira parcela do pagamento da atendente Viviane dos Santos, 27 anos, que mora em São Bernardo. Ela garantiu que vai pagar algumas contas atrasadas e que estão para vencer com o dinheiro. “Nada de compras de Natal”, destacou.
Viviane explicou que tem algumas pendências com empréstimo bancário, cartão de crédito e parcelas de compras no varejo. O valor da antecipação do 13º não será suficiente para liquidar tudo. Mas ela está disciplinada quando à segunda parcela. “Vou guardar para qualquer imprevisto no futuro”, disse.
2012 - Aproveitar o 13º para pagar as dívidas proporciona alívio financeiro ao consumidor. Ainda mais porque em janeiro algumas contas batem na porta todos os anos, lembra o economista do Serasa Experian Luiz Rabi. São elas o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores e o Imposto Predial e Territorial Urbano. E aqueles que possuem carro e imóvel não têm como escapar desses débitos.
Na avaliação de Galhardo, o importante é que o consumidor utilize bem a primeira parcela do 13º para que tenha mais fôlego financeiro nos próximos meses. E com isso terá melhor sensação de bem-estar. Sem contar que o endividamento é a ponte para a inadimplência, que é o atraso no pagamento de uma dívida por mais de 90 dias. E entrar nesta situação significa sair do mercado, tendo em vista que o consumidor não terá mais crédito com as empresas e instituições, o conhecido nome sujo.
Depois de liquidadas as dívidas atuais, Galhardo destaca que o consumidor deve listar os próximos gastos, assim é possível visualizar quanto será gasto. E com a possível sobra no orçamento guardar ou consumir.
NECESSIDADE - O motorista andreense José Maria Ferreira, 59 anos, entrou no grupo dos consumidores que não vão usar a primeira parcela do 13º para pagar dívidas. Mas sua decisão ocorreu para suprir necessidade do lar. “A empresa antecipou a parcela no dia 20. Então usei ela toda para dar entrada em uma geladeira”, contou. “A geladeira que tenho, há quase 27 anos, desde quando eu casei, está com alguns problemas.”
A segunda parcela do 13º de Ferreira também já tem destino certo, e não será para liquidar o restante da geladeira. “Também vou trocar meu sofá, que já tem mais de 20 anos de vida.”
Início do ano é marcado por alto endividamento
A pesquisa nacional de endividamento e inadimplência do consumidor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo aponta que, na série histórica, fevereiro e março são os meses de maior endividamento. Neste ano, por exemplo, o levantamento captou que 65,3% das famílias estavam endividadas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais e prestações de carros e seguros. E nos meses anteriores, novembro de 2010, dezembro e janeiro deste ano, o percentual era de, respectivamente, 59,8%, 58,3% e 59,4%. Neste mês, a CNC informou que 59% das famílias brasileiras estão endividadas.
Segundo pesquisa do Serasa, no ano passado as vendas no Natal cresceram 10% em relação ao ano anterior e o índice de inadimplência também evoluiu consecutivamente nos meses de novembro, dezembro e janeiro. Sinal de que muitas pessoas não se planejaram e utilizara o pagamento para comprar mais, deixando as dívidas pendentes de lado.
Para o dinheiro que sobra, renda fixa é opção
Quem estiver com a situação financeira saudável, com as dívidas controladas, e pretende investir a primeira parcela do 13º salário deve aplicar, de preferência, em modalidades de renda fixa no caso de valores de até R$ 3.000, avaliam os especialistas ouvidos pela equipe do Diário.
Traçadas essas características, junto ao montante que está disponível para o investimento, o professor PhD da Fiap Marcos Crivelaro, que é especialista em matemática financeira e consultor em finanças, indicou a caderneta de poupança, cujo rendimento médio é de 6% ao ano e é isenta de taxas administrativas e tributos, com melhor opção para aplicações de até R$ 3.000. A alternativa considera qualquer período para o resgate.
Já o especialista em finanças pessoais André Massaro aconselhou a aplicação em renda fixa que tenha risco pouco maior do que a poupança, mas tem característica conservadora. Este é o caso dos títulos do Tesouro Nacional, fundos de renda fixa. Em média, essas modalidades vêm apresentando retornos líquidos de 9% ao ano, o que garantiria lucro médio de R$ 884,07 para quem aplicou R$ 3.000 há três anos.
MAIORES - A gerente da Caixa avaliou que o importante para o investidor que tiver mais renda disponível para aplicar é a diversificação de investimento. “Muitas vezes ele pode juntar a primeira parcela do 13º com uma PLR (Participação nos Lucros e Resultados da empresa) que tenha guardado e aumentar o valor que quer investir. Com mais de R$ 10 mil, o interessante é diversificar as aplicações, pois assim os riscos são minimizados”, explicou.
Crivelaro, da Fiap, lembrou que, hoje, as melhores opções para quem tem entre R$ 5.000 e R$ 10 mil são os fundos de ações. E quem acumular mais de R$ 10 mil, na opinião do acadêmico, deve direcionar o dinheiro ao Certificado de Depósitos Bancários, ou parte dele.
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